Notas Avulsas

sábado, julho 29, 2006



Dimensão Histórica

Vou começar do começo. Tenho o privilégio e a honra de ser amigo da Patrícia V, V de virtuosa, que toca piano como ninguém com uma imaginação musical que deixaria o próprio Thelonius Monk espumando de inveja e taquicardia.

Pois bem, a Pati (que é do bem) também participa de um programa desenvolvido por uma ONG aqui em Washington cujo objetivo é trazer música ao vivo para comunidades de terceira idade.

Hoje à tarde a programação dela foi num Community Center para velhinhos em Adams-Morgan, bairro boêmio, imigrante, latino, africano, yuppie aqui no centro do burburinho do District of Columbia.

“São sempre calados, bem comportados,” disse a Pati, referindo-se não sei se aos membros da banda ou à platéia de costume nessas expedições que ela costuma fazer em sua sagrada missão de trazer música ao vivo de novo aos velhinhos solitários da cidade.

Só que dessa vez o povo era latino. A velharada (em breve também serei um deles) insistia nos boleros, nas rumbas, até nos tangos. Cantava junto. Conhecia todas as letras e até outras desconhecidas pela nossa bela e jovem Patrícia.

Foi então que, chegando meio ao final do programa, a gordinha grisalha espevitada puxou o braço da Pati: “Brasileña, brasileña, brasileña, ¿nó? Pués aquí tenemos un brasilero que quiere cantar contigo.”

Eis que se apresenta a figura distinta do “Brasilero”, cheio de charme pra cima da Patrícia (num esforço com o qual qualquer jóvem consentiria, diga-se de passagem).

“Meu nome é Donald. Fui jogador profissional de futebol no Rio há 50 anos atrás…

“Joguei no Botafogo, no Fluminense, no Vasco…”

E eis que o Donald saca da carteira lá do bolso de trás, abre, e produz uma foto dele ao lado de Nilton Santos.

E um cartão de visitas do Pelé, com o telefone do próprio em Nova Iorque no verso…

“E como foi que esse cara foi parar aqui em Washington,” perguntei incrédulo à Pati, horas depois, quando ela me contava essa estória.

“Não sei. Tive que sair de lá correndo pra vir pra cá. Mas ele me deu o cartão…”

E no cartão, que fisguei dela, está escrito: Donald P•ere•ra de A*ui•r. Professional Soccer Coach. 19** Columbia Road, Washington DC.

Vou ligar pro Donald amanhã e ver se ele topa uma companhia. Eu, de minha parte, toparia a dele.

Em breve virão as respostas.

3 Comments:

  • Linda foto, Balla!
    Gostei.
    Donald é o cara.
    Força FOGÃO!

    By Blogger chicodakombi, at 29/7/06 01:08  

  • Impressionante, né Hélio? Tô muito afim do encontro com o Donald. É a história ambulante. A Pati me diz que ele é muito gregário e talvez um pouco sozinho. (Perto da Pati eu também sou gregário, mas isso é matéria pra outro post.)

    Vale dizer que me parece um sujeito que vai gostar e muito de falar de sua vivência. O jogador andarilho de 50 anos atrás. O Donald. Que agora mora em Adams-Morgan. Que história será essa?

    Notas Avulsas vai averiguar. Tenha certeza.

    By Blogger cjb, at 29/7/06 01:27  

  • Grande trepidante Balla!!
    Entrevista o ômi e depois conta os causos aqui no NA.
    Abraço do seu leitor número DOIS.

    By Blogger chicodakombi, at 29/7/06 16:04  

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