Notas Avulsas

sábado, novembro 18, 2006

Rima Esquecida

A cachola batendo três vezes na luminária

Ao sentar, ao levantar
na pura distração do movimento
é sempre o POK do metal
que bate contra o cocoruto
nesta casa onde ainda sou estranho.

Aprendo, como aquilo também haverá de aprender,
na convivência de espaços cerrados
que pertencem a outras instâncias
e não às minhas, que, fora este discurso,
a rigor não existem.

POK

de novo, o fomento keynesiano
fazendo vibrar a arquitetura deste apartmento
no momento quando saio dele pra comprar aspirina.

**

Meu amor:

voltei agora a pé das compras
caminhando com rimas que já esqueci:
saídas, partidas, devidas no final,
no final a tua vida
ou a minha
que na promiscuidade do meu caminhar
eram coisas cuja diferença
e a importância que se atribui a elas
simplesmente deixaram de existir.

**

Sento e me levanto agora
com o vagar com o qual me disponho
a evitar essa luminária
que bate no coco,
minha cabeça um toco,
resto de organismo, de
quatro patas, pelo, e pouco
mais do que isso

e como louco
batendo a cabeça contra objetos
suspensos no ar que nem sequer premeditei
penso, novamente, apenas em você.

3 Comments:

  • foi pra mim né....ja ta batendo a cabeca..é..vai doer mesmo, não se iluda. beijos

    By Blogger Bebel, at 18/11/06 14:54  

  • OI Amigo, ja pensou em escrever um livro de poesias?

    Escreve muito bem.

    By Blogger Iara Alencar, at 21/11/06 16:51  

  • PARA O AMIGO BALLA:

    Fernando Pessoa
    Cancioneiro

    Autopsicografia

    O poeta é um fingidor.
    Finge tão completamente
    Que chega a fingir que é dor
    A dor que deveras sente.
    E os que lêem o que escreve,
    Na dor lida sentem bem,
    Não as duas que ele teve,
    Mas só a que eles não têm.

    E assim nas calhas de roda
    Gira, a entreter a razão,
    Esse comboio de corda
    Que se chama coração.

    By Blogger Iara Alencar, at 21/11/06 17:06  

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